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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sempre Galiza! – Eduardo Pondal, o bardo galego


publica-se às 3ªs e 6ªs
coordenação Pedro Godinho





Depois de Rosalia de Castro, em 1963, e de Daniel Castelão, em 1964, o 3º Dia das Letras Galegas, em 1965, foi dedicado ao “bardo” Eduardo Pondal.


Eduardo Pondal nasceu a 8 de Fevereiro de 1835, em Ponteceso, e morreu em 8 de Março de 1917, na Corunha. Exerceu medicina durante um curto período mas abandonou a carreira médica e foi às letras que se dedicou.



Tendo embora também escrito em castelhano, como é o caso de Rumores de los pinos obra publicada em 1877 e que reune poemas em castelhano e galego, Eduardo Pondal orienta a sua escrita para a recuperação e exaltação da língua e cultura galegas e defesa da liberdade do povo galego.

É dele a letra do hino nacional galego, Os Pinos, musicado por Pascual Veiga, e que corresponde a partes do poema Queixumes dos pinos, de 1886, o qual ampliava e recuperava da versão bilingue dos pinos de 1877 as composições em galego e incluía outras antes em castelhano e reescritas em galego.




Hino Galego – Os Pinos (Os Pinheiros)

Que dim os rumorosos
na costa verdecente,
ao raio transparente
do plácido luar?
Que dim as altas copas
de escuro arume arpado
c’o seu bem compassado
monótono fungar?

Do teu verdor cingido
e de benignos astros,
confim dos verdes castros
e valeroso clam,
nom dês a esquecimento
da injúria o rude tono;
desperta do teu sono,
fogar de Breogám.

Os bons e generosos
a nossa voz entendem
e com arroubo atendem
ao nosso rouco som,
mas só os ignorantes
e férridos e duros,
imbecis e obscuros,
nom nos entendem, nom.

Os tempos som chegados
dos bardos das idades,
que as vossas vaguidades
cumprido fim terám,
pois, onde quer, gigante,
a nossa voz pregoa
a redençom da boa
naçom de Breogám.






A invocação da Galiza, que deve despertar e empreender o caminho da sua libertação, é feita de forma metafórica por referência à nação de Breogã, guerreiro mitológico celta e pai fundador da Galiza, e primeiro título do texto enviado por Eduardo Pondal a Pascual Veiga a solicitação deste.

Cultivando também a lírica, a poesia de Eduardo Pondal é fortemente épica, marcada pelo helenismo e celtismo em que canta o passado, lendas, mitos e gestas dos heróis céltico-galegos.

Essa dimensão está presente não só em Queixumes dos pinos mas também noutro extenso poema épico – Os Eoas – baseado na descoberta do continente americanos, a que Pondal atribuía grande importância mas do qual só publicou um primeiro rascunho em vida e depois só publicado como obra póstuma, em 2005.






Em Pondal encontra-se igualmente o apreço por Camões e afecto por Portugal, como país irmão e aliado desejado e com quem a Galiza partilha a língua, diferente duma Castela que lhes nega nação e língua:

que além Minho estão,
os bons filhos do Luso,
apartados
irmãos
nossos por um destino
invejoso e fatal.
Com os
robustos acentos,
grandes os chamarás,
verbo do grã
Camões
fala de Breogã!



Leitura dum poema de Eduardo Pondal


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sempre Galiza! : Bandeira e hino galegos

coordenação de Pedro Godinho




A bandeira galega tem fundo branco, e é atravessada ao centro por uma faixa azul celeste, desde o ângulo superior da esquerda até ao ângulo inferior da direita.

A bandeira nacional galega moderna tem origem no século XIX e inspira-se na bandeira naval de Corunha, então principal porto de saída para a América dos emigrantes galegos e por estes adoptada como símbolo identitário.

“Os Pinos” é o hino nacional da Galiza. A letra corresponde às duas primeiras partes do poema “Queixumes dos pinos” de Eduardo Pondal e a música é de Pascual Veiga.

A invocação da Galiza é feita de forma metafórica por referência à nação de Breogám, guerreiro mitológico celta e pai fundador da Galiza, e primeiro título do texto enviado por Eduardo Pondal a Pascual Veiga a solicitação deste.

A Lei 5/1984, de 29 de Maio, estabelece os símbolos oficiais da Galiza.

A letra do hino oficializada pela Lei 5/1984 seguiu asNormas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galegoda Real Academia Galega (RAG), apresentando diferenças relativamente à versão original do poema de 1890. À versão oficialista é contraposta uma outra do Prof. Carlos Garrido pelos que como a Associaçom Galega da Língua (AGAL) lembram que já no poema original Pondal afirmara uma tendência reintegracionista.


Os Pinos (Os Pinheiros)

Versão oficialista



Que din os rumorosos
na costa verdecente,
ao raio transparente
doprácido luar?
Que din as altas copas
de escuro arume arpado
co seu bencompasado
monótono fungar?

Do teu verdor cinguido
e de benignos astros,
confín dos verdes castros
evalerosochan,
nondes a esquecemento
dainxuria o rudo encono;
desperta do teu sono
fogar de Breogán.

Os bos e xenerosos
anosa voz entenden
econ arroubo atenden
onoso ronco son,
maissóo os iñorantes
eféridos e duros,
imbéciles e escuros
non nos entenden, non.

Os tempos son chegados
dos bardos das edades
que as vosasvaguedades
cumpridofinterán;
pois, donde quer, xigante
anosa voz pregoa
aredenzón da boa
nazón de Breogán.

Versão
reintegracionista


Que dim os rumorosos
na costa verdecente,
ao raio transparente
do plácido luar?
Que dim as altas copas
de escuro arume arpado
c’o seu bem compassado
monótono fungar?

Do teu verdor cingido
e de benignos astros,
confim dos verdes castros
evalerosoclam,
nom dês a esquecimento
da injúria o rude tono;
desperta do teu sono,
fogar de Breogám.

Os bons e generosos
a nossa voz entendem
e com arroubo atendem
ao nosso rouco som,
mas só os ignorantes
eférridos e duros,
imbecis e obscuros,
nom nos entendem, nom.

Os tempos som chegados
dos bardos das idades,
que as vossas vaguidades
cumprido fim terám,
pois, onde quer, gigante,
a nossa voz pregoa
aredençom da boa
naçom de Breogám.



               
Versão do hino nacional de Galiza
(embora apenas na versão oficialista)