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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sempre Galiza! – Ernesto Guerra da Cal: Ramalhete de Poemas Carnais, “In Memoriam” de Ricardo Carvalho Calero - VII Bombardeamento


publica-se às 3ªs e 6ªs
coordenação Pedro Godinho


De Ernesto Guerra da Cal - para ler, reler e partilhar

os sete poemas de:

Ramalhete de Poemas Carnais
"In Memoriam" de Ricardo Carvalho Calero


[ dia 28/6 - I ESFINGE ]

[ dia   5/7 - II FADO CHORADO SOBRE UM AMOR PASSADO ]

[ dia 12/7 - III DESENCONTRO ]

[ dia 19/7 - IV EUCARISTIA SACRÍLEGA ]

[ dia 26/7 - V NUDEZ MUDA ]

[ dia  2/8 - VI "IMAGO FLORIS" ]

hoje: VII BOMBARDEAMENTO




I.M. Carvalho Calero/ G. da C.





                                             VII


                              BOMBARDEAMENTO
                            ********************






        [Barcelona, 1938]
















Encontrei-a na rua




perto da Diagonal








Era loira e bem feita







Duas covinhas




pontuavam-lhe a curva do sorriso









auroral








Disse-me o nome




que os longos anos idos








fizeram esquecer









Lembro-me do apelido




- bem catalão : Carner








Era virgem, católica e ardente








…………..








…………..








Depois: dois corpos nus




em entrelaçamento incandescente









Cheiro a sexo








misturado com água de colónia




húmidos beijos








lascivos e inocentes…










E de chofre:--







o alto alarido das sereias de alarme



e o roncar dos motores agressores pelos cimos do céu:







…………….







trovões







estilhaços







calçadas esventradas







prédios ao desbarato







corpos despedaçados….







…………..







…………..







Fins a demá! – disseste num abraço



perturbado





no teu idioma próprio








Mas não houve ‘amanhã’



naturalmente





Não havia tampouco ontem nem hoje








Era guerra



e a guerra anula o Tempo





Tivemos só um instante







furiosamente edénico








interrupto



naquele quarto ingreme e vacante





de amorosa guarida







E para sempre nunca mais:








Adeus!



E um holocausto como despedida.















LONDRES: Fevereiro, 1992.





terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sempre Galiza! – Ernesto Guerra da Cal: Ramalhete de Poemas Carnais, “In Memoriam” de Ricardo Carvalho Calero - VI "Imago Floris"


publica-se às 3ªs e 6ªs
coordenação Pedro Godinho


De Ernesto Guerra da Cal – para ler, reler e partilhar

os sete poemas de:

Ramalhete de Poemas Carnais
"In Memoriam" de Ricardo Carvalho Calero


[ dia 28/6 - I ESFINGE ]

[ dia   5/7 - II FADO CHORADO SOBRE UM AMOR PASSADO ]

[ dia 12/7 - III DESENCONTRO ]

[ dia 19/7 - IV EUCARISTIA SACRÍLEGA ]

[ dia 26/7 - V NUDEZ MUDA ]

hoje: VI "IMAGO FLORIS"




I.M. Carvalho Calero/ G. da Cal

VI

“IMAGO FLORIS”
********************

Para Lena Komura, flor de

Dai Nippon – na Quarta

Dimensão do Sonho.

Il piu sacro luogo della Creazione

di Dio é il Delta femminino.”

NESTORE D’ALGUECARRA

O teu SEXO indizível:

mistica FLOR carnal

ROSA copulativa

abismal SEMPREVIVA

e BÚSSOLA imperiosa

do encapelado MAR

do meu nocturno ARDOR

ficará para mim

perenemente

como ARCANO candente

do nosso AMOR remoto

e refreado

corporal e auroral

sacro-profano

imaculado SONHO

real-imaterial

e misteriosa-

mente

humano

LONDRES

1 de Agosto

1990


[ dia 9/8 - VII BOMBARDEAMENTO ]

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sempre Galiza! – Ernesto Guerra da Cal: Ramalhete de Poemas Carnais, “In Memoriam” de Ricardo Carvalho Calero - V Nudez Muda


publica-se às 3ªs e 6ªs
coordenação Pedro Godinho

De Ernesto Guerra da Cal – para ler, reler e partilhar

os sete poemas de:

Ramalhete de Poemas Carnais
"In Memoriam" de Ricardo Carvalho Calero


[ dia 28/6 - I ESFINGE ]

[ dia 5/7 - II FADO CHORADO SOBRE UM AMOR PASSADO ]

[ dia 12/7 - III DESENCONTRO ]

[ dia 19/7 - IV EUCARISTIA SACRÍLEGA ]


hoje: V NUDEZ MUDA



I.M. Carvalho Calero/ G. da C.

V

NUDEZ MUDA
*******************

[ Soneto desnorteado ]

O teu silêncio nu de lenta chuva

invade o meu rescaldo vespertino

e no ausente sorriso cristalino

a minha mão procura a tua luva

O teu grito calado, pluma de asa

esconde-se num ninho que é um abismo

e o rumor da tua carne em hermetismo

queima-me a insónia com seu gelo em brasa

Nudez ambígua de veraz mentira

finge o teu sonho de vendaval que arrasa

e afunda o meu, que por teu centro passa

e contra o qual o teu sexo conspira

Um dia há de chegar

talvez no Além

em que o teu corpo

vença o seu mutismo

E nesse dia fatal

Dia da Ira

tu não seras quem és

E eu

mortalmente


serei NINGUÉM

ESTORIL

Alta noite

14 de Setembro

1987

[ dia 2/8 - VI "IMAGO FLORIS" ]

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sempre Galiza! – Ernesto Guerra da Cal: Ramalhete de Poemas Carnais, “In Memoriam” de Ricardo Carvalho Calero - IV Eucaristia Sacrílega


publica-se às 3ªs e 6ªs
coordenação Pedro Godinho

 
De Ernesto Guerra da Cal – para ler, reler e partilhar

os sete poemas de:

Ramalhete de Poemas Carnais
"In Memoriam" de Ricardo Carvalho Calero


[ dia 28/6 - I ESFINGE ]

[ dia   5/7 - II FADO CHORADO SOBRE UM AMOR PASSADO ]

[ dia 12/7 - III DESENCONTRO ]

hoje: IV EUCARISTIA SACRÍLEGA 




I.M. Carvalho Calero/ G. da Cal

IV

EUCARISTIA SACRÍLEGA
**********************************

O cheiro a carne que nos embebeda!

Em que desvios a razão se perde”.

CAMILO PESSANHA

Queria a minha BOCA
             na tua BOCA

Queria encorporar-te
         num AMPLEXO

tornando a tua CARNE
            CARNE minha

o meu SEXO habitando
               no teu SEXO

Queria a minha ALMA
             na tua ALMA

a minha a refulgir
  no teu REFLEXO

Receber “CORPUS CHRISTI”
                     do teu CORPO

comungando a tua HÓSTIA
                          genuflexo

NOVA-IORQUE

Abril

1977



[ dia 26/7 - V NUDEZ MUDA ]

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sempre Galiza! – Ernesto Guerra da Cal: Ramalhete de Poemas Carnais, “In Memoriam” de Ricardo Carvalho Calero - III Desencontro


publica-se às 3ªs e 6ªs
coordenação Pedro Godinho

De Ernesto Guerra da Cal – para ler, reler e partilhar

os sete poemas de:

Ramalhete de Poemas Carnais
"In Memoriam" de Ricardo Carvalho Calero


[ dia 28/6 - I ESFINGE ]

[ dia 5/7 - II FADO CHORADO SOBRE UM AMOR PASSADO ]


hoje: III DESENCONTRO


I.M. Carvalho Calero/ G. da C.

III

DESENCONTRO
********************

No te quiero más castigo

que estés durmiendo con otro

y estés soñando conmigo”.

(Copla popular andaluza)

Os Olhos mutuamente

fechados e perdidos

cada um

no seu longínquo Olhar

Os Lábios mutuamente

colados e arredios

e cada um

entregue

a um alheio Beijar

Os Corpos enlaçados

e evadidos

cada um

para um ausente Lugar

E ambos os Corações

remotos e abstraídos

cada um

no seu independente Latejar

E a única Emoção presente:

o agoniante Esforço errante

da Imaginação

- a imaginar!

LONDRES

6 de Outubro

1990

[ dia 19/7 - IV EUCARISTIA SACRÍLEGA ]

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sempre Galiza! – Ernesto Guerra da Cal: Ramalhete de Poemas Carnais, “In Memoriam” de Ricardo Carvalho Calero - II Fado Chorado Sobre Um Amor Passado


publica-se às 3ªs e 6ªs
coordenação Pedro Godinho

De Ernesto Guerra da Cal – para ler, reler e partilhar

os sete poemas de:

Ramalhete de Poemas Carnais
"In Memoriam" de Ricardo Carvalho Calero

[ dia 28/6 - I ESFINGE ]

hoje: II FADO CHORADO SOBRE UM AMOR PASSADO


I.M. Carvalho Calero/ G. da C.

II

FADO
CHORADO
SOBRE UM AMOR
PASSADO
************

Las pisadas de arena que la ola

soñolienta y fatal borra en la playa”.

JORGE LUÍS BORGES

Pelo teu corpo

de limão maduro

desço

seguro

ao fundo

do mais fundo

rincão

do meu adorabundo coração

Que

ainda contigo agora

na saudosa desora

do passado

chora

a fio

como um rio

pelo jasmim errado

cuja doce e equívoca fragrância

amargando está em mim

inveterado

a tal

astral

distância

ESTORIL

Janeiro

1989

[ dia 12/7 - III DESENCONTRO ]

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sempre Galiza! – Ernesto Guerra da Cal: Ramalhete de Poemas Carnais, “In Memoriam” de Ricardo Carvalho Calero - I Esfinge

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho


De Ernesto Guerra da Cal – para ler, reler e partilhar

os sete poemas de:

Ramalhete de Poemas Carnais

"In Memoriam" de Ricardo Carvalho Calero


Ernesto Guerra da Cal
















R A M A L H E T E

***********************







DE

**







P O E M A S C A R N A I S

************************************







In Memoriam





de







R i c a r d o C a r v a l h o C a l e r o

==============================





Velho Amigo





e





grande Poeta amatório














The delirium of flesh




the lovely dance




that ends in nakedness”.





RAD CALAGUER



I.M. Carvalho Calero/ G. da C.



I


ESFINGE

***********







Muito antes de sentir



nas narinas da ALMA



o aroma



íntimo



intenso



nocturno



feminino



da



MAGNÓLIA indizível



do



teu



SEXO





Muito antes de gostar



na língua da minha ALMA



o sabor



mel e leite



lírio e rosa



dos



biquinhos direitos



dos



teus



PEITOS



tive



o



presentimento



do



teu



nu CORPO infindo



e



das



vias sem termo



do



labirinto cego



da



tua



CARNE



isolada e deitada



no meio



do



DESERTO




ESTORIL


Primavera


1990


[ dia 5/7 - II FADO CHORADO SOBRE UM AMOR PASSADO ]

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sempre Galiza! – Ricardo Carvalho Calero visto por José Manuel Beiras

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

Ricardo Carvalho Calero é um marco das letras galegas e tem, portanto, sido um dos frequentemente propostos para a homenagem anual da cultura galega que constitui a designação para o Dia das Letras Galegas. Tem, continuamente, sido preterido. Sem discutir o valor dos escolhidos, Carvalho Calero merece há muito a distinção que a RAG (Real Academia Galega) lhe continua a negar. Preteriu-o no passado, preteriu-o em 2011 e, anunciada que foi já a escolha para o próximo ano, voltou a preteri-lo para 2012.

Tão forte parece a embirração da RAG com Carvalho Calero que se vai começar a pensar que maior distinção é não ser escolhido por aquela. Não fosse uma das exigências para ser distinguido a de ser falecido e interessante seria ver o que diriam os próprios designados do "veto permanente" a Carvalho Calero.

No Estrolabio de 17 de Maio, Carlos Loures lamentava que, uma vez mais, a RAG tivesse denegado a Carvalho Calero a homenagem merecida e desde há dez anos proposta.

A 18 de Maio, Carlos Loures voltava à liça com novo texto, em diálogo com a interessante nota de Carlos Durão em A Nossa Língua e agradecendo a resposta avançada à interrogação que deixara.

A 24 de Maio, pelo seu interesse, e pela relação estabelecido entre os nomes de Carvalho Calero e de Lois Pereiro - o distinguido em 2011 -, transcrevemos o texto de José-Martinho Montero Santalha, presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP).

Conhecida que foi a escolha para 2012 do poeta e ensaísta Valentim Paz Andrade - também ele um defensor da unidade linguística galego-portuguesa e alguém que colaborou com Carvalho Calero na redacção do Anteprojecto do Estatuto da Galiza, apresentado em 1931 - soube-se da afirmação feita por um membro da RAG, Ramón Lorenzo, sobre Ricardo Carvalho Calero acusando-o, por defender a unidade linguística galego-portuguesa, de ter feito mal à língua galega: «eu sou contra de que se lhe dê o Dia das Letras Galegas porque há que ver o mal que lhe fizo este homem à língua. É isso que nom se quer ver. [...] é o culpável deste tremendo problema que tivemos com o galego»

Ricardo Carvalho Calero foi filólogo e escritor, nacionalista, teórico do reintegracionismo, professor universitário e o primeiro Catedrático de Língua e Literatura Galegas. Cidadão empenhado, foi co-fundador do Partido Galeguista, opositor da ditadura de Primo Rivera e do golpe fascista de Franco, de 1936, contra o qual combateu como voluntário pela República. O seu pensamento político correspondendo a um nacionalismo galego de esquerda.

Catedrático e especialista da língua, o seu prestígio fez dele, em 1980, uma escolha incontestada para a nomeação pelo Parlamento pré-autonómico galego como presidente da Comissão encarregada de elaborar um padrão escrito para o galego. O padrão proposto pela Comissão apresentava uma orientação reintegracionista, embora mantendo transitoriamente o uso duma ortografia ainda de influência espanhola.

No entanto, na sequência duma viragem do poder político, o apoio inicial à Comissão presidida por Ricardo Carvalho Calero é abandonado e atribuída a autoridade linguística a um instituto linguístico de Compostela de orientação isolacionista face ao português e cuja proposta de normativização, aprovada pela Junta da Galiza em 1982, estabelece um padrão contrário à unidade linguística galego-luso-brasileira e favorável à influência escrita do espanhol sobre o galego.

Na década de 80, Carvalho Calero será um dos principais críticos da orientação da nova política linguística das autoridades da Galiza, considerando o pretenso 'bilinguismo igualitário' dado desembocar "na monarquia de aquela das duas línguas que possuí maior potência social", que no caso galego não é outra que a privilegiada pelo poder durante séculos: o espanhol ('Bilinguismo e bigamia', in Uma Voz na Galiza, 1984).

Estará aqui a razão da "vingança" dos iluminados da RAG?

Para juntar ao debate, transcrevemos o texto "O meu Ricardo Carvalho Calero" de José Manuel Beiras, publicado no jornal Galiza Hoje, a propósito das declarações de Ramón Lorenzo sobre Carvalho Calero. José Manuel Beiras foi membro fundador do Partido Socialista Galego PSG), nos anos 60, seu secretário-geral nos anos 70, tendo participado na fundação em 1982 do Bloco Nacionalista Galego (BNG) do qual foi membro da Direcção, Presidente e deputado. Economista e escritor, membro da Real Academia Galega desentendeu-se com a presidência desta sobre da Lei de Normalização Linguística do Galego.

O meu Ricardo Carvalho Calero

XOSÉ MANUEL BEIRAS

En recentes entrevistas motivadas polo seu merecido Premio Trasalba, o meu vello amigo e en tempos camarada de "noviciado" universitario, Ramón Lorenzo, referiuse con certa insistencia ao "gran mal que lle fixo á lingua" galega o profesor Ricardo Carvalho Calero no período auroral da Autonomía, mesmo até consideralo "o culpable deste tremendo problema que tivemos co galego" -por mor da lea antre "oficialistas" e "reintegracionistas" acontecida nos anos oitenta verbo da normativización do noso idioma. Coido eu que, tanto no plano sociolingüístico canto no ideolóxico e máis no político-institucional, están moi claras as causas, os causantes e os "culpábeis" dos andacios padecidos outrora e aínda arestora polo noso idioma, e que incluír nese bando a "don Ricardo" constitúe cando menos unha grave deformación da realidade. Porén, non quero -eiquí e agora- entrar en polémica. Si, en troques, ofrecervos a miña visión vivencial de aquil rexo, insubornábel e entrañábel loitador a prol da cultura, o idioma e os dereitos políticos soberanos do seu povo, e máis algunhas claves seica esquencidas da xestación do "problema Carvalho". Limítome a transcreber a seguida o que lles eu contara a Miguel Anxo Fernán Vello e Francisco Pillado hai xa un decenio, cando andabamos a elaborar o noso segundo libro de conversas. Veloeiqui.

*****

"Eu tiña unha admiración plena pola figura de Ricardo Carvalho Calero en todas as súas facianas e proxeccións, tanto a intelectual como a literaria, e tanto a biográfica como a da súa personalidade humana, que me resultaba fascinante e conmovedora. Admiración e simpatía, profunda simpatía, e mirade que para moita xente que valoraba a apreciaba a Carvalho resultáballe calquera cousa menos simpático. Mais a min suscitabame simpatía, eu empatizaba coa súa fasquía, co seu aquel adusto e cerimonioso na aparencia de "scholar" británico tópico, que ao cabo era unha protección externa da súa grande timidez. ¿Coñecedes a anécdota acontecida ao remate da súa oposición á cátedra de galego?. É reveladora. A min contárama daquela algunha testemuña presencial. É [era] habitual que cando o tribunal procede a votar o faga en presenza dos opositores e do público asistente, e que a seguida o candidato elixido estreite a man dos membros do tribunal, que o felicitan e el dá as grazas: é a liturxia final da oposición. Cando foi o caso de Carvalho, Ricardo foi estreitar as mans e recibir os parabéns, conforme a esa liturxia, mais non dixo "grazas" a ninguén. A insólita expresión que utilizou foi: "Magnánimos señores!". Só a Ricardo Carvalho Calero podía ocorrérselle verbalizar dese xeito a súa emotividade nunha situación como ésa.

"A min conmovíame a súa sobria afouteza moral, e non só por coñecer o estoicismo co que aturara tantos malos tratos e tanta marxinación e tanta amargura que lle fixeran padecer os fascistas, senón tamén pola personalidade que destilaba a súa simple presenza, aquel seu saber estar onde e como debía intelectual e moralmente estar sen a menor estridencia, pero cun peso específico que se percibía como percibes o dunha peza de metal nobre sen tan siquera teres que collela na man nin apalpala. E é curioso, porque, a diferenza doutras persoas desas xeracións inmediatamente seguintes á Xeración Nós, a Ricardo eu non o coñecin de neno, senón xa na miña adolescencia e máis aínda xa na miña mocidade, e aínda así "tuteábao" como a del Riego ou Piñeiro, que con todo eran máis novos. Non o coñecin cando neno porque [el] non vivía en Santiago nin en Vigo, que son as cidades onde se desenvolve primordialmente a miña nenez, mais tamén porque meu pai, que coñecía e tiña amizade con Carvalho dende os tempos do Seminario de Estudos Galegos e do Partido Galeguista na República, non mantiña relación frecuente con el. Coido que Carvalho é a única das personalidades senlleiras do universo cultural e político do galeguismo-nacionalismo que coñecín primeiro polos seus escritos que en persoa. Meu pai tiña prácticamente todo canto libro se editara en galego antes da Guerra Civil, e polo tanto, tiña a obra poética de Carvalho publicada nos anos trinta. Mais tamén estaba subscrito a Bibliófilos Galegos, e alí editárase A xente da Barreira, que eu lin cando saíu, sendo aínda un adolescente.

"Durante os anos 50 eu vexo a Carvalho moi episódicamente. É con posterioridade cando empezo a ter máis relación con el, e xa moito máis dende o momento en que se fai cargo da primeira Cátedra de Lingua e Literatura Galegas. Pero é nun período no que tamén hai un distanciamento e mesmo unha ruptura constantemente acentuada entre Carvalho e o grupo galaxián, sobre todo con Piñeiro. Piñeiro comentaba ás veces que Carvalho Calero estaba "neura" ou que estaba "tolo", nun senso figurado, naturalmente. Pero ¿por qué facía esa afirmación?. Pois porque, segundo el, Ricardo empeñabase en converter o ensino do galego nunha disciplina odiosa. Dicía que era moi duro coa xente e que tiña que facer da materia algo que fose agradábel e atractivo para a xente. Noutras palabras, facer proselitismo ou, se cadra, unha especie de "maría" que resultase simpática.

"Eu non estou en condicións de calibrar en que medida o xeito de entender e practicar a docencia Carvalho podía dar pé a este tipo de comentos -que, polo demáis, se facían en privado, ou cando menos eu non os escoitei en presenza de persoas que non pertencesen ao círculo de confianza-, porque nunca asistín a ningunha sesión de aulas de Carvalho Calero. De xente que foi alumna súa teño escoitado opinións variadas, mais todos os que foron alumnos seus e máis tarde mostraron valía como filólogos, especializados ou non en galego, adoitan falar moi positivamente das ensinanzas recibidas de Ricardo. Pero quero sinalar, porque fun testemuña presencial, algo que bota máis luz e aporta máis claves sobre o que estaba a acontecer na relación entre Carvalho e o grupo de Piñeiro que calquera outro comentario. É o seguinte. Carvalho era un out-sider na universidade de entón, e mesmo, para a xente máis conspicuamente pertencente aostablishment académico-universitario, resultaba simplemente un intruso. Carvalho tiña a carreira de letras ademáis da de dereito, como é sabido, con titulacións anteriores á Guerra Civil. Mais non chegara á cátedra de galego na Facultade de Letras compostelán a través do curriculum usual, e mesmo obrigado, para facer carreira docente na Universidade de entón, e tamén na de agora: formarse dentro dalgunha das "escolas" encabezadas por calquera das autoridades académicas nos eidos da filoloxía románica, que "naturalmente" radicaban en Madrid ou Salamanca. Por outra banda, cando se dota a cátedra de galego que gaña Carvalho, non se insire na creación dunha sección de filoloxía galega na Facultade de Letras compostelá -iso acontecerá anos máis tarde- senón como unha disciplina incrustada na licenciatura de Filoloxía Románica, sen máis, como unha insuíña arrodeada do español por todas partes. Pois ben, dende que chega[ra] de catedrático á Facultade de Filoloxía Constantino García, que non era galego nin se formara sequera inicialmente en Galiza, o círculo galaxián, e nomeadamente Piñeiro e García-Sabell, comeza[ra] a desenvolver unha operación de captación de Constantino, de asiduo cultivo do seu ego, que axiña desemboca[ra] nun notorio proceso de promoción deste personaxe nos medios culturais e intelectuais do galeguismo de entón. E, por suposto, esa promoción faise primordialmente nos medios estudantís, a través dos mozos e mozas que frecuentaban a Piñeiro. Eu teño presenciado, e mesmo participado en conversas de Piñeiro con Carlos Casares, arredor da famosa "mesa camilla", cando Casares aínda era estudante, que tiñan todo que ver co que estou a dicir. A operación, en si mesma, tiña un sentido comprensíbel e mesmo encomiábel, dentro dunha estratexia de política cultural galeguista nunha institución tan colonial e refractaria á cultura galega xenuína como a Universidade: tratábase de establecer nela cabezas de ponte para chegar a conquistala e galeguizala. Mais axiña derivou, en detrimento de Carvalho, nunha posta en contrastación de Carvalho, o out-sider indíxena, con Constantino, o pied-noir con pedigree académico comme-il-faut. E sobre todo, acabou axiña por derivar nun corrosivo e soturno proceso de deterioro do prestixio e da solvencia científico-intelectual da obra de Carvalho, tanto no eido da gramática -a súa pioneira Gramática elemental do galego común [1ª edición: 1966]- como no da análise literaria. Iso foi algo que considerei inxusto, desleal e inaceptábel dende que me decatei, e que me empurrou a unha posición moralmente solidaria con el. É a partir deses momentos cando paso a ter máis sintonía e a manter unha relación máis estreita con Carvalho, unha relación que xa non é compartida no ámbito do círculo galaxián e que se fai cada vez máis densa, até termos ambos a peripecia da Academia, que xa é dabondo coñecida."

*****

Hoxe, dez anos despois de ter dito o que antecede, reitéroo ao pé da letra. E inda engadiría máis en honra e louvanza do meu vello amigo, mestre de meu en tantas cousas, e compañeiro solidário en idearios e combates emancipadores, que foi Ricardo Carvalho Calero -porque sempre detestei a utilización de "chivos expiatorios" pra eludir as proprias responsabilidades en problemas de calquera caste.